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17 de agosto de 2026
Por David Machado
7 minutos de leitura

O impacto das políticas de ciência aberta na gestão dos periódicos

A comunicação científica tem passado por transformações profundas nas últimas décadas. Entre as mudanças mais relevantes está o avanço das políticas de ciência aberta, um movimento que busca tornar a produção científica mais acessível e colaborativa ao redor do mundo.

Antes, o acesso ao conhecimento era restrito a assinaturas institucionais ou bases pagas. Mas, graças ao crescimento da ciência aberta, cada vez mais pesquisas estão disponíveis para toda a sociedade, especialmente aquelas financiadas com recursos públicos.

Nesse cenário, os periódicos científicos assumem um papel central como agentes da implementação de práticas de ciência aberta, e isso traz novas responsabilidades para suas equipes editoriais.

Neste artigo, exploramos como as políticas de ciência aberta impactam a gestão dos periódicos científicos e quais mudanças estruturais esse movimento provoca no fluxo editorial.

O que é ciência aberta?

A ciência aberta, ou  open science, em inglês, é um movimento internacional que busca ampliar o acesso, a transparência e a colaboração no processo de produção científica.

O conceito envolve diferentes práticas e dimensões que vão além do simples acesso aberto aos artigos científicos. Entre os principais pilares da ciência aberta estão:

  • acesso irrestrito às publicações científicas;
  • compartilhamento de dados de pesquisa; 
  • transparência nos processos de revisão por pares;
  • uso de preprints.

O objetivo central é tornar a ciência mais acessível, reprodutível e confiável, fortalecendo a circulação do conhecimento e ampliando o impacto social das pesquisas. 

Isso permite que o conhecimento científico ultrapasse os muros da universidade e beneficie a sociedade como um todo.

O avanço das políticas de ciência aberta

Nos últimos anos, iniciativas globais têm acelerado a adoção da ciência aberta no ecossistema acadêmico.

Programas como o Plano S, lançado por um consórcio internacional de agências de fomento, defendem que pesquisas financiadas com recursos públicos sejam publicadas em acesso aberto imediato.

Um dos argumentos que embasou a proposta é que, se o financiamento é público, seus dados e publicações também deveriam ser acessíveis à sociedade. A proposta gerou debates e resistências em diferentes setores do ecossistema científico e passou por ajustes ao longo do tempo.

Ao mesmo tempo, grandes bases indexadoras e plataformas científicas passaram a incentivar práticas como:

  • disponibilização de dados de pesquisa;
  • transparência nos processos editoriais;
  • adoção de identificadores persistentes;
  • uso de licenças abertas de publicação.

No Brasil, a SciELO desempenha um papel essencial ao estimular a adoção de políticas de ciência aberta entre os periódicos científicos da América Latina, promovendo acesso livre, transparência e colaboração científica. Desde 2018, vem incentivando práticas como uso de preprints, revisão por pares aberta e compartilhamento de dados de pesquisa, buscando ampliar a visibilidade e o impacto da ciência produzida no Sul Global.

Essas mudanças ampliam as oportunidades de disseminação do conhecimento, mas também exigem adaptações significativas na gestão editorial das revistas científicas.

Como a ciência aberta impacta a gestão editorial

A adoção de práticas de ciência aberta não se resume a uma decisão institucional. Na prática, ela exige ajustes em diferentes etapas do fluxo editorial.

Isso significa que editores, equipes técnicas e gestores de periódicos precisam revisar políticas, processos e infraestrutura para atender às novas diretrizes da comunicação científica.

A seguir, destacamos alguns dos principais impactos:

Atualização das políticas editoriais

Um dos primeiros passos para alinhar um periódico às práticas de ciência aberta é revisar suas políticas editoriais.

Isso inclui definir diretrizes claras sobre compartilhamento de dados de pesquisa, uso de preprints, transparência na revisão por pares e licenças de publicação.

Essas informações precisam estar descritas de forma clara nas instruções aos autores e nas páginas institucionais da revista. A transparência nas políticas editoriais é, inclusive, um dos critérios avaliados por diversas bases de indexação.

Adequação dos fluxos editoriais

A ciência aberta também pode exigir ajustes nos fluxos operacionais do periódico. Por exemplo, quando uma revista adota políticas de compartilhamento de dados, torna-se necessário orientar os autores sobre onde e como depositar esses materiais

Da mesma forma, periódicos que optam por modelos de revisão aberta precisam adaptar suas rotinas editoriais para contemplar novos níveis de transparência no processo de avaliação.

Essas mudanças demandam planejamento e organização para garantir que o fluxo editorial continue eficiente e consistente.

Infraestrutura e interoperabilidade

Outro impacto importante está relacionado à infraestrutura tecnológica utilizada pelos periódicos. A ciência aberta valoriza a interoperabilidade entre sistemas e a utilização de padrões que facilitem a circulação e a preservação da informação científica.

Nesse contexto, aspectos como marcação em XML no padrão JATS, uso de identificadores persistentes (como DOI e ORCID) e integração com repositórios de dados tornam-se ainda mais relevantes.

Esses elementos permitem que os conteúdos publicados sejam mais facilmente localizados, indexados e reutilizados, ampliando o alcance das pesquisas.

Desafios na implementação da ciência aberta

Apesar dos avanços, a adoção da ciência aberta ainda apresenta desafios para muitos periódicos, como:

Sustentabilidade financeira

A transição para modelos de acesso aberto levanta debates importantes sobre modelos de financiamento da comunicação científica.

Muitos periódicos, especialmente em países em desenvolvimento, enfrentam dificuldades para manter sua operação sem modelos tradicionais de assinatura. Esse continua sendo um tema central no debate internacional sobre ciência aberta.

Capacitação das equipes editoriais

A implementação de novas políticas exige que editores, revisores e equipes técnicas estejam atualizados sobre as boas práticas da comunicação científica.

Isso envolve compreender desde aspectos conceituais da ciência aberta até questões técnicas relacionadas à gestão editorial.

Adaptação gradual das comunidades científicas

Autores, revisores e instituições de pesquisa precisam se adaptar a novas práticas, como o compartilhamento de dados ou a publicação em preprints.

Por isso, a transição para a ciência aberta costuma acontecer de forma gradual, acompanhando o amadurecimento das comunidades científicas.

O papel da gestão editorial nesse novo cenário

A ciência aberta não é apenas uma tendência passageira. Ela representa uma transformação estrutural na forma como o conhecimento científico é produzido, avaliado e disseminado.

Diante desse cenário de transformação, a gestão editorial assume um papel ainda mais estratégico.

Revistas que conseguem se adaptar a esse contexto, adotando processos editoriais robustos e alinhados às boas práticas internacionais, tendem a se posicionar de forma mais competitiva no ambiente científico global.

É preciso ir além de apenas cumprir exigências de indexadores, construindo uma cultura editorial baseada em transparência, qualidade científica e boas práticas de publicação.

Contar com uma equipe editorial capacitada é essencial para conseguir acompanhar as mudanças do ecossistema científico. 

Na Editora Cubo, apoiamos periódicos na transição e consolidação desse modelo, oferecendo soluções que garantem qualidade, visibilidade, preservação digital e alinhamento às melhores práticas da ciência aberta.

Fale com nosso time e descubra como podemos ajudar seu periódico a se fortalecer nesse cenário em constante transformação.

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